Aconteceu o temido. Eu lutei contra, disse que me protegeria, que não iria me afetar, mas aconteceu.
Não quero morar mais em Goiânia.
Eu sei, sempre tive essa inquietação, isso não é novidade, mas aprendi a sufocar isso e fui feliz nos últimos anos aqui. Vivia uma história que achei que fosse de amor, estava pronta para constituir família e ser feliz na minha cidade natal. Perto dos meus pais e dos meus amigos, que eu adoro.
Mas eu provei um pouquinho. Como um viciado em cocaína que cheira a primeira carreira.
O conflito tem um lado bom. Descobrir finalmente que os acontecimentos dos últimos dois anos têm sentido. Eu sempre cobro isso de Deus. Para mim, as coisas precisam fazer sentido. Eu sofro, choro e vou fundo na minha dor, mas sempre acredito que no final, vou entender. E entender um término por telefone após seis anos sempre demora mais, não? Porque eu não sou uma santa, mas acho que só de ladrões para baixo merecem isso.
Continuo gostando de morar com meus pais. Mas Tony Parsons retrata bem quando detalha a convivência de Alfie com os pais, em Mais Uma Vez. Eles têm seus hábitos, que com o passar do tempo, simplesmente não encaixam mais com o que vc acredita da vida. Porque sinônimo de filho é ingratidão.
Mesmo tendo viajado para fora, sinto vontade morar no Brasil. Mas preciso de uma cidade maior. No meu país, ainda posso exercer minha profissão e isso conta, hoje, conta. Um dia pode mudar. Porque eu sou a pessoa que ia casar há dois anos e hoje só pensa em conhecer o mundo. As coisas mudam o tempo todo.
Que bom.